Fábio Barreto, o filho do Brasil

 

Antes que os preconceituosos do contra ou a favor

destilassem seus venenos ou jogassem suas águas de rosas,

fui ver o filme do Lula na estréia.

Até gostei.  Cinema do bom. Gloria Pires fantástica. Direção precisa.

Idolatria na medida de um personagem que nasceu com um xis de líder na testa

e, queira ou não queira, já mostrou ao mundo que é o cara.

Preferências eleitorais à parte,

o filme é um retrato importante e sincero da história de um Brasil

imerso numa ditadura em adiantado estado de decomposição.

Para os que não sabem ou não querem se lembrar,

houve uma ditadura militar sim, criminosa e descabida,

capaz de deixar um legado de amnésia e um rastro de impunidade,

além de uma dívida externa monstruosa,  uma inflação paralisante

e uma  total falta de noção de cidadania e respeito pelos direitos civis fundamentais.

Pois bem. O próprio diretor do filme confessa numa entrevista

que sua família cinematográfica sempre apoiou essa ditadura

em troca de favorecimentos a seus negócios. 

Diz  Fábio Barreto:

Tivemos relações (uiii!!) com a ditadura militar.

E nós conseguimos fazer o cinema sobreviver porque tivemos relações com eles.

Eles são (são??) o poder, e a gente precisa do poder

para conseguir fazer o que a gente quer. Entendeu?”

Entendi.  E fiquei enojado.

Infelizmente, o Brasil também tem filhos assim.

 

2 Responses

  1. Olga Says:

    ZéGui, não assisti ao filme, mas assistirei, naturalmente. Mas tenho uma leve sensação que se este filme estreasse em 2011, ele me causaria um sentimento mais profundo.

    E ainda que eu ache este cineasta uma porcaria - e bem cá pra nós, pelos escritos entre aspas, com uma moral proporcional ao talento -, uma história desse quilate não se pode desprezar, né?

  2. Olga Says:

    ZéGui, assisti ao filme. E senti uma vontade danada de voltar aqui e deixar registrado que achei o filme sensacional. Nada no filme excede. Uma grande história, com grandes personagens, contada de forma honesta e comovente. Pra minha grande surpresa: achei um filmaço.

    Nem tenho palavras pra definir o que vem a ser a atriz Glória Pires. Atuação estupenda!

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