A noite

 

A noite é de pessoas instantâneas,
insanas.
Observar alguma coisa?
Só se forem os peitos,
perfeitos,
as curvas, saliências, quadris.
Ganha quem tiver mais ardis
e decotes.
Ir muito vestida
é a morte.
Os cabelos?
De preferência lisos
e compridos.
Na boca, o riso,
no olhar, libido.
Não se pode perder tempo,
vai se direto ao ponto.
Quer dizer, ao beijo.
Realizemos o desejo.
Onde foi parar o papo?
O jeito?
A curiosidade do toque?
Mistura tudo e vira rock, pop.
A noite é pra pegar,
zoar, ficar.
Dançar é só o esquenta.
Toda semana isso.
Cada dia com uma diferente.
Como é que você aguenta?
Andemos, seguindo em frente.
Amanhã é dia de trabalho.
Caralho!
Tenho que acordar cedo
e a conquista da night vai virar segredo,
passado.
E, se bobear,
no próximo dia,
você esbarra com aquela vadia,
na rua.
Mas então ela estará metida num tailleur,
terninho,
numa roupa de respeito.
Aí não tem mais graça, não é mesmo?
Cadê o colo nu, o decote no peito?
Será que você irá reconhecê-la?
Quando é que essa vida acaba?
Quando é que a música para?
Alguém pode acender a luz, por favor?

Enviado por Mariana Valle

 

 

 

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