A parede entre os dois era tênue,
como tênue era a voz que relatava o ato ao interessado ouvinte.
Era quase um sussuro.
- Nunca vi corpinho mais perfeito que aquele!
Os seios tão pequenos que mais parecem duas saliências.
Quadris estreitos, boquinha miúda e nos cabelos,
uma maria-chiquinha colorida que eu fiz questão de deixar no lugar.
- Conte mais, caro rapaz. Conte mais.
- Então, diante daquela visão do paraíso, não resisti.
- Compreensível, meu caro, compreensível…
- Eu comecei lhe dando beijinhos, fazendo carinhos…
Como sua pele era macia!
- Estou sentindo, estou entendendo. Prossiga, meu jovem, prossiga.
- Quando fui ver, estava fazendo, já estava fazendo…
- Não, não…
- Sim! A tentação era muito grande. Não resisti.
- Não, não…
- Mas era muita tentação!
- Sim, sim…
- O senhor me entende?
…
- Eu fiz alguma coisa errada?
…
- O senhor tá me ouvindo?
…
Não, o padre Eusébio não estava ouvindo o penitente.
Estava no banheiro. Limpando a batina.
Era muita tentação. Muita tentação.
Enviado por Mariana Valle

março 11th, 2009 at 18:35
Que boa surpresa quando se chega ao fim do relato. É de uma menina e não de um menino a autoria. Ótima descrição, a da menina.
Boa, Mariana.
março 12th, 2009 at 15:24
Obrigada, Olga.
O bom de escrever é isso: podemos experimentar realidades completamente diferentes das que vivenciamos na prática.
Bjs,
Mariana
março 12th, 2009 at 17:31
O ato de escrever ficção só é comparável ao nosso pensamento, ou seja, podemos dar asas à imaginação para vivenciar algo que a cruel realidade não nos permite. Culpa da censura imposta pela “civilização”.
Parabéns!
Fernando
março 13th, 2009 at 18:59
Parabéns Mariana, mais um excelente texto com a sua assinatura.
beijos
março 17th, 2009 at 0:16
Clap, clap, clap.
Bela(s) escrita(s).