Antes que os preconceituosos do contra ou a favor
destilassem seus venenos ou jogassem suas águas de rosas,
fui ver o filme do Lula na estréia.
Até gostei. Cinema do bom. Gloria Pires fantástica. Direção precisa.
Idolatria na medida de um personagem que nasceu com um xis de líder na testa
e, queira ou não queira, já mostrou ao mundo que é o cara.
Preferências eleitorais à parte,
o filme é um retrato importante e sincero da história de um Brasil
imerso numa ditadura em adiantado estado de decomposição.
Para os que não sabem ou não querem se lembrar,
houve uma ditadura militar sim, criminosa e descabida,
capaz de deixar um legado de amnésia e um rastro de impunidade,
além de uma dívida externa monstruosa, uma inflação paralisante
e uma total falta de noção de cidadania e respeito pelos direitos civis fundamentais.
Pois bem. O próprio diretor do filme confessa numa entrevista
que sua família cinematográfica sempre apoiou essa ditadura
em troca de favorecimentos a seus negócios.
Diz Fábio Barreto:
“Tivemos relações (uiii!!) com a ditadura militar.
E nós conseguimos fazer o cinema sobreviver porque tivemos relações com eles.
Eles são (são??) o poder, e a gente precisa do poder
para conseguir fazer o que a gente quer. Entendeu?”
Entendi. E fiquei enojado.
Infelizmente, o Brasil também tem filhos assim.