dez 10

Ó, eu aqui outra vez, dando uma de cronista.

Mas não consegui resistir a um pedido do blogueiro amigo Foca.

E falar de futebol, principalmente do Botafogo, é um desafio tentador.

Esse time que nasceu de uma gurizada,

que jogava pelada ali onde hoje é a Cobal, no Humaitá, e que,

segundo um torcedor, teria sido este o motivo da eterna adolescência do Glorioso,

já motivou crônicas definitivas.

Por isso, me atrevo apenas a falar um pouquinho do torcedor.

Este ser irracional, que se deixa levar, sempre, pela paixão

e que faz coisas do arco da velha.

Meu pai, um gaúcho botafoguense,

que veio tentar a sorte no Rio, em 1959,

a primeira coisa que fez ao botar os pés aqui,

pela primeira vez, foi deixar minha mãe, grávida do primeiro filho,

na casa de parentes, e ir ao Maracanã assistir ao jogo do Botafogo.

E lembra sempre da emoção de pisar no maior estádio do mundo e ver,

extasiado, Nilton Santos e Garrincha jogarem.

Mesmo nas piores fases do clube,

meu pai sempre se orgulhou da escolha futebolística e acha,

acha não, tem certeza, que a estrela solitária é o escudo mais bonito do planeta.

Domingo, após o jogo, resignado, este homem pragmático e racional

e que poucas vezes vi chorar, me disse emocionado:

“Estou me sentindo cansado (ele anda doentinho),

acho que foi a tensão, mas estou feliz.

A gente conseguiu se manter entre os grandes.”

Pouco, não, para um clube que se reconhece como Glorioso?

Mas é o que coube, fazer o quê?

E, sem dúvida alguma, ontem,

foi a paixão que motivou a torcida botafoguense,

desencantada com a constante mediocridade do seu atual time,

e tão cobrada pela falta de apoio, encher o Engenhão, numa festa linda,

cheia de cânticos e gritos de incentivo,

ainda que para torcer somente pelo não-rebaixamento.

Deve ser a tal da labareda que se acende após o recolhimento e a depressão,

que o poeta diz ser a marca do torcedor botafoguense, este ser trágico.

Dizem que ser botafoguense não é pra qualquer um, não deve ser mesmo.

Por Olga Belém

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