Numa manhã de sábado, no Rio de Janeiro,
resolvi ir a um posto e mandar lavar o meu carro.
Coitado, estava todo sujo.
Seu último banho, acho que já fazia um mês ou mais.
Tinha até um casaco feminino no banco de trás.
Devia ser de alguma perua com quem saí, não me lembrava de quem,
afinal, estava solteiro e na gandaia.
Dei para o frentista, pra ele mandar lavar e dar pra alguma amiga,
namorada, irmã, enfim pra quem precisasse.
Na sexta-feira seguinte, à noite, fui tomar um uisquinho com os amigos
num bar em Botafogo que era frequentado
pelo pessoal das agências de propaganda que ficavam perto.
Marta Bartolomeu, moça finéssima,
diretora de uma agência, sentou-se conosco.
Em determinado momento,
Marta chamou o garçon e perguntou se na sexta-feira anterior
ela não tinha esquecido um blaser de linho da Kishna na cadeira.
Lembrei-me de tudo na hora: na sexta-feira anterior,
eu tinha dado uma carona para ela, no meu carro, sujo mesmo.
E no sábado, eu dei um blaser de linho
de uma das lojas mais caras do Rio para o frentista do posto.
Pensando que fosse de alguma perua.
Da série Mini Crônicas
Enviada por Classir Scorsato
