dez 31

Deveria ser ao contrário.
Em sete dias da semana, seis para descansar,
um para o trabalho.
Domingo. Trabalhar só domingo.
Todo mundo ficava mais produtivo,
mais objetivo, mais feliz.
Domingo, então seria a segunda-feira com cara de sábado.
E férias?
Simples. Não temos 20 dias de trabalho no ano
como descanso remunerado?
Então, teremos 20 domingos no ano sem trabalhar.
Faz as contas.
Toda vez que Geraldo vai à praia,
no último dia do ano,
pensa nisso.

Do livro 30 segundos - Contos expressos

JGV - Publit - 2007


dez 30

Mas está na cara que o mercado auto-regulável não passa de uma utopia, diz Polanyi. Pois seria inevitável que a sociedade procurasse resguardar sua própria substância, que procurasse, por assim dizer, alguma forma de proteção contra o mercado – o que vai contra a lógica da auto-regulação.

Não é apenas a sociedade que reclama proteção. Empresas e bancos como a General Motors e o JP Morgan, também.


dez 30

1. “Sempre me senti isolado nessas reuniões sociais: o excesso de gente impede de ver as pessoas.”
Mario Quintana

2. “Se é o peru quem morre, por que a missa é do galo?”
Pára-choque de caminhão

3. “O que a Justiça tem que entender é que o futebol brasileiro tem suas próprias leis.”
Eurico Miranda

Próximo desafio.

Dessa vez, uma frase única, arrebatadora e vitoriosa. Tão carregada de verdade e esperança, que por si só já é um desejo para o 2009 de todos nós.

YES, WE CAN.


dez 29

Desde o berço, o capitalismo demandava mercados para todos os componentes da indústria: não apenas para os bens, mas também e sobretudo para o trabalho, a terra e o dinheiro. E nada, a não ser o próprio mercado, poderia interferir na relação entre eles. Na prática, isso significou que o trabalho, a terra e o dinheiro passaram a ser organizados em mercados. Aí o nó: trabalho, terra e dinheiro não são mercadorias; não são produzidos para a venda. O trabalho é a atividade da vida dos homens, e a terra, o seu habitat natural. Incluí-los no mecanismo de mercado, diz Polanyi, é subordinar a substância da própria sociedade às leis do mercado.


dez 27

Toda vez que te vejo, eu nem percebo

e os malditos beijos escorrem da minha boca.

 

As palavras erradas transbordam da língua,

a calma se exangue,

a força míngua.

 

Meu corpo tonteia, num frenesi.

Fico completamente alheia,

absorta por ti.

 

E, de repente, chega o instante,

em que estou mais uma vez preparada

para ser tua amante.

 

 

 

 

 

Enviado por Mariana Valle

 


dez 26

 

Todas as sociedades, em todas as épocas, diz Polanyi, foram ou são em alguma medida condicionadas por fatores econômicos. Mas somente a civilização ocidental moderna passou a justificar toda a sua orientação através da busca pelo lucro. Uma revolução e tanto: ao invés da economia ser parte integrante das relações sociais, são as relações sociais que passam a ficar subsumidas na economia. O mercado se descola da sociedade e, livre de quaisquer constrangimentos externos às suas próprias forças, ganha autonomia, transformando-se numa instituição acima e além da vida dos indivíduos.
O problema, é claro, está no modo como isso se deu, e nas conseqüências que sobrevieram.

 

 


dez 26

Por Gibrael Gibran.

Quis o destino que eu estivesse em Bagdá, na qualidade de cicerone de uma grande amiga e jornalista brasileira, melancólico, andando pelas ruas e ruínas daquela cidade dominada e destruída, quando o seu destruidor, presidente dos Estados Unidos, apareceu por lá.
No dia da coletiva de imprensa do presidente, Joana apareceu com uma credencial para nós dois que, no entanto, não dava direito a fazer perguntas. Teríamos que permanecer em silêncio.
E assim foi. Mordendo a nossa raiva, ficamos ouvindo o senhor Bush e suas bushites, aquele rosário de mentiras e cinismos, sem poder abrir a boca.
Foi quando, saído de perto de nós, voou o sapato civilizador que, por um triz, acertava a cabeça do demônio. Logo em seguida, veio o pé esquerdo, que o obrigou a desviar a cabeça, com olhos esbugalhados e perplexos.
Vingada, Joana não conseguiu nem quis reprimir uma gargalhada sonora.
Truculentos, dois seguranças lançaram-se sobre Joana, desejando que tivesse sido ela a autora dos disparos. Com um salto, coloquei-me entre Joana e os “cães de guarda”, enquanto exclamava em alto som e bom português, de forma a intimidá-los:
 
-SAPATADA, NÃO. JOANA DÁ TAPAS.

 


dez 25

Sim, vou à Bahia.

Deixo alguns posts com o Zé, que os colocará aqui a seu tempo. Como estarei alheio a tudo e todos – o auge da preocupação estando em tomar decisões do tipo “esta cervejinha ficará melhor acompanhada de amendoim ou castanha de caju?”, ou “qual destes coqueiros faz a sombra mais apropriada para uma soneca após o almoço?” –, aviso que não poderei responder os comentários, se os houver.

Um ótimo 2009 a todos.


dez 25

Nos jornais, lê-se que a crise econômica renovou o interesse pelo pensamento de Marx. Mais e mais pessoas procuram nas páginas de O Capital alguma referência para pensar o caos que está aí. (E isto inclui, veja só, falcões como Henry Kissinger.)

Ainda que reconheça a importância da obra de Marx, penso que fariam melhor em ler A Grande Transformação, de Karl Polanyi. Os motivos, explico a seguir.


dez 23

Resultados da terça anterior:

1. “As palavras têm sexo. E casam-se. O casamento delas é que chamamos de estilo.”
Machado de Assis

2. “A vagina é o principal órgão sexual feminino. Seu ponto mais sensível é o clítoris, que fica na entrada, como um guichê. Daí a insistência da sua parceira para que você passe primeiro por ele antes de entrar.”
Luis Fernando Veríssimo

3. “Para as pessoas, o máximo do prazer se consegue com sexo. Para mim, não. Um dos meus grandes    momentos orgásticos é comer chuchu no vapor.”
Ângela Ro Ro

Próximos desafios:

1. “Sempre me senti isolado nessas reuniões sociais: o excesso de gente impede de ver as pessoas.”

2. “Se é o peru quem morre, por que a missa é do galo?”

3. “O que a Justiça tem que entender é que o futebol brasileiro tem suas próprias leis.”


dez 22

Deixamos o melhor para o fim; mas e se, quando enfim chegar, já não tivermos o melhor?

O problema é particularmente agudo no caso de pizzas.

Após a primeira e segunda garfadas, em geral apressadas pelo contentamento, você analisa a fatia e identifica o local exato onde há a melhor combinação de queijo, molho de tomate e demais ingredientes que a recobrem – e segue a retalhar todo o resto.

O melhor pedaço, arrisca a comê-lo frio.


dez 22

A grande ironia do eterno retorno é perseguir justamente aqueles que se julgam livres dele.


« Previous Entries