Por Gibrael Gibran.
Quis o destino que eu estivesse em Bagdá, na qualidade de cicerone de uma grande amiga e jornalista brasileira, melancólico, andando pelas ruas e ruínas daquela cidade dominada e destruída, quando o seu destruidor, presidente dos Estados Unidos, apareceu por lá.
No dia da coletiva de imprensa do presidente, Joana apareceu com uma credencial para nós dois que, no entanto, não dava direito a fazer perguntas. Teríamos que permanecer em silêncio.
E assim foi. Mordendo a nossa raiva, ficamos ouvindo o senhor Bush e suas bushites, aquele rosário de mentiras e cinismos, sem poder abrir a boca.
Foi quando, saído de perto de nós, voou o sapato civilizador que, por um triz, acertava a cabeça do demônio. Logo em seguida, veio o pé esquerdo, que o obrigou a desviar a cabeça, com olhos esbugalhados e perplexos.
Vingada, Joana não conseguiu nem quis reprimir uma gargalhada sonora.
Truculentos, dois seguranças lançaram-se sobre Joana, desejando que tivesse sido ela a autora dos disparos. Com um salto, coloquei-me entre Joana e os “cães de guarda”, enquanto exclamava em alto som e bom português, de forma a intimidá-los:
-SAPATADA, NÃO. JOANA DÁ TAPAS.