dez 27

Toda vez que te vejo, eu nem percebo

e os malditos beijos escorrem da minha boca.

 

As palavras erradas transbordam da língua,

a calma se exangue,

a força míngua.

 

Meu corpo tonteia, num frenesi.

Fico completamente alheia,

absorta por ti.

 

E, de repente, chega o instante,

em que estou mais uma vez preparada

para ser tua amante.

 

 

 

 

 

Enviado por Mariana Valle

 


nov 16

Alice já tinha 42 anos.
E nunca havia aproveitado tanto uma transa como essa.
Na primeira vez com Rafael, ela o deixou gozar rapidinho.
A partir da segunda, ele ia cada vez melhor.
Fazia tudo o que ela pedia. E tinha uma disposição invejável.
O melhor de tudo era a postura dele. Queria agradar.
Preocupava-se com ela. Desejava aprender
e fazer tudo bem-feito. Alice se sentia no paraíso.
- Agora, vamos brincar com a sua língua.
E lá foi o amante lambuzar seu mel, na fenda sedenta
daquele urso guloso.
O gozo não tardou a jorrar. Tanto lá, como cá.
E juntos foram para a banheira.
Relaxaram um pouco e se amaram mais uma vez.
Depois da ducha prolongada e curtida, vestiram-se.
Ela pagou a conta, pegou o carro,
deixou o rapaz no colégio.
Estava na hora da aula de matemática. Dia de prova.
Como Alice já sabia a tabuada de cor e salteado,
não demorou muito para fazer as contas:
Rafael fora seu primeiro virgem, mas essa experiência
não poderia se multiplicar. Agora, que ele fora iniciado na arte,
certamente procuraria alguém mais jovem para satisfazê-lo.
“Bom, pelo menos realizei um desejo. E fiz uma boa ação“,
concluiu Alice.
Mas no dia seguinte, não resistiu.
Voltou para a porta daquela mesma escola e
observou longamente cada um dos amiguinhos de Rafael.
Precisava arrumar uma nova diversão.

Enviado por Mariana Valle


nov 10

Estou apaixonada mais uma vez.
Encantada com tua voz.
Teus olhos negros tão profundos,
de ti me inundo, vontade atroz.

Teu corpo macio me aconchega,
me aquece a alma, me deixa cega.
Só vejo amor, esqueço o mundo.
Me dá tua mão e me carrega!

Me leva pra longe de todo barulho,
e me derrama em tua cama.
Esqueceremos o nosso orgulho
e deitaremos em nossa fama.
Porque é pra isso que estamos aqui,
para explorar nossa libido.
Afinal, estou amando,
me apaixonei por meu marido!

Enviado por Mariana Valle


out 20

Me ama
Encara meus olhos
e chega mais perto.
Encosta em meu corpo
teu membro ereto.
Arrepia minha nuca
com o ar de tua boca.
Arranha a minha carne
e me tira a roupa.
Beija meus lábios,
me percorre com a língua,
quero sentir tua pele
saber que estou viva.
Me puxa, me empurra,
me amarra, me surra.
Me prende, me ata
e penetra-me a mata.
Acelera o ritmo,
me faz cavalgar.
Me faz pedir mais,
até eu gozar.

Enviado por Mariana Valle

 


out 20
JG

J.G.
——-
Mãe e filha ou
simplesmente menina
que se revela minha
mulher e rainha

A cada toque,
a cada beijo,
a cada abraço e
a cada gota derramada no lençol.

Noite longa,
noite curta

texturas se revelam,
cheiros se rebelam,
paladares se moldam.

Olhos se cruzam e descruzam.

Pernas se tocam,
pés re-tocam,
lábios tocam

e toca…
e toca o celular.

Voltemos ao quarto:
um quarto de hora.
Já é dia,
já é hora de ir embora.

- Agora?
- Você quer mesmo?

Não sei se quero.
Apenas sei que é tempo.

Tempo curto,
tempo longo.

Longo tempo nos separa,
curto o espaço que nos une.

Toco seu seio,
toco sua alma

e toca…
e toca o celular.

Dia longo,
dia curto.

A vida passa
sem nos incomodar.

Um banho
um beijo
um toque
um cheiro

minha boca
em seu seio

toca, toca…
toca o celular.

- Agora temos que voltar!
- Agora? Temos que voltar?

Boca seca
lábios inchados
gosto salgado
cheiro fermentado.

- Ai se eu pudesse…
- Eu sei, eu sei.

Calor
Rubor
Dor
Amor

Lençol suado,
pano molhado.
Doce é o gosto
do véu imaculado.

Enviado por Pedro Oliveira Portilho


out 12

Toca o interfone.
- É o jardineiro, madame.
- Pode subir, diz Márcia.
Ao abrir a porta de serviço, Márcia puxa Henrique pelos braços.
E enfia-lhe no quartinho reservado a vassouras, ferramentas, coisas úteis e inúteis.
Despem-se sôfregos.
Henrique vira a madame de cabeça para baixo e ali mesmo produzem um 69 em pé.
Na medida do espaço. Na medida da urgência.
Gozam quase que simultaneamente.
Ainda ofegante,  Márcia se manifesta:
- Meu marido quando chega de viagem, sempre reclama que o canteiro da varanda está mal cuidado, as samambaias estão pálidas e as avencas não vingaram. Prometi demitir o jardineiro. Vamos ter que trocar a senha.
Henrique sugeriu bombeiro hidráulico.
Ótima idéia.
Passaram a se encontrar na hidromassagem.
Com direito a banho de espuma.

Do livro 30 Segundos - Contos Expressos
JGV - Publit - 2007


out 7

Não quero ser tua na rua,
quero ser nua na tua, no quarto.
Não te quero só meu,
quero você e eu.

Não quero teu papo
de amor, ilusão, o que for.
Te quero de papo pro ar
comigo a rolar pelo chão…

Não quero a tua cara amarrada, teu drama.
Que nada!
Quero brigar na tua cama, ser tua sacana, insana
e não namorada ajuizada!

Não sou de fachada
e nem te preciso pra isso.
Te quero sorriso, desejo
e tudo o que sinto quando te vejo.

Não quero tentar,
ou fingir que é sério.
Vamos apenas gozar
esse nosso mistério.

E se, algum dia,
(quem sabe?)
o sentimento rolar,
deixa ele crescer
e a gente vê no que dá.

Mariana Valle


out 7

Um pouco de voyeurismo literário não faz mal a ninguém. Muito pelo contrário. Excitar-se pelas letras, pelas ondulações lascivas de frases e situações eróticas, é bálsamo para o desejo. Com construções muito mais bem escritas do que esta besteira de prólogo, inauguramos hoje a seção “Calientes”. Quem nos dá a honra de inaugurá-la, emprestando seus versos calientes é Mariana Valle, jornalista, blogueira (www.marianavalle.com) e escritora de mão cheia, sem especialidade definida e engessante, mas com uma vocação pura e poderosa pela coisa. A seção, como tudo neste blog, é aberta a colaborações. Que podem ser de própria pena, ou simplesmente sugestões de obras de outrem. Como de uns tais de Drumonds, Bandeiras, Bilacs, Bocages, Sades, enfim, mestres incontestáveis e deliciosos escribas do bom e velho nheco-nheco.

Deleitem-se, pois.


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