mai 1

 

De repente surge, como que caída do céu, aquela coisinha viva,

redondinha e colorida, dividindo o berço com a gente.

É o lúdico, o mágico, o místico, um verdadeiro espetáculo,

invadindo nossas pequeníssimas existências,

como uma jamanta na banguela.

E ali

a partir daquele momento

– sem palavra ou pensamento –

a emoção nos envolve

e uma espécie de intimidade instantânea

se estabelece pro resto da vida.

Também, pudera:

que serzinho mais interessante

                                                 divertido,

                               que roda, que rola                                                                   

                      que finge, que foge

                que pula, que pira

         que geme, que gira                                                     

     …e ainda voa!!

 

                             Por Paulo Azeredo

 


dez 10

Ó, eu aqui outra vez, dando uma de cronista.

Mas não consegui resistir a um pedido do blogueiro amigo Foca.

E falar de futebol, principalmente do Botafogo, é um desafio tentador.

Esse time que nasceu de uma gurizada,

que jogava pelada ali onde hoje é a Cobal, no Humaitá, e que,

segundo um torcedor, teria sido este o motivo da eterna adolescência do Glorioso,

já motivou crônicas definitivas.

Por isso, me atrevo apenas a falar um pouquinho do torcedor.

Este ser irracional, que se deixa levar, sempre, pela paixão

e que faz coisas do arco da velha.

Meu pai, um gaúcho botafoguense,

que veio tentar a sorte no Rio, em 1959,

a primeira coisa que fez ao botar os pés aqui,

pela primeira vez, foi deixar minha mãe, grávida do primeiro filho,

na casa de parentes, e ir ao Maracanã assistir ao jogo do Botafogo.

E lembra sempre da emoção de pisar no maior estádio do mundo e ver,

extasiado, Nilton Santos e Garrincha jogarem.

Mesmo nas piores fases do clube,

meu pai sempre se orgulhou da escolha futebolística e acha,

acha não, tem certeza, que a estrela solitária é o escudo mais bonito do planeta.

Domingo, após o jogo, resignado, este homem pragmático e racional

e que poucas vezes vi chorar, me disse emocionado:

“Estou me sentindo cansado (ele anda doentinho),

acho que foi a tensão, mas estou feliz.

A gente conseguiu se manter entre os grandes.”

Pouco, não, para um clube que se reconhece como Glorioso?

Mas é o que coube, fazer o quê?

E, sem dúvida alguma, ontem,

foi a paixão que motivou a torcida botafoguense,

desencantada com a constante mediocridade do seu atual time,

e tão cobrada pela falta de apoio, encher o Engenhão, numa festa linda,

cheia de cânticos e gritos de incentivo,

ainda que para torcer somente pelo não-rebaixamento.

Deve ser a tal da labareda que se acende após o recolhimento e a depressão,

que o poeta diz ser a marca do torcedor botafoguense, este ser trágico.

Dizem que ser botafoguense não é pra qualquer um, não deve ser mesmo.

Por Olga Belém

Postado originariamente no

www.primocruzado.blogpost.com


out 16

 

Quando eu era bem criancinha,

dois ou três anos de idade,

eu tinha um cabelo bem comprido e cacheado.

E as moças da igreja, que a minha mãe frequentava,

diziam que eu era a cara de São João Batista.

Deviam ter visto alguma imagem dele sem barba

e com o cabelo encaracolado também.

Mas o meu santo preferido sempre foi um outro João:

São João apóstolo e evangelista.

Até hoje me lembro de João XXIII,

o papa que mudou a cada da Igreja, que convocou o Concílio,

acabou com a missa em latim

e fez a opção preferencial pelos pobres.

Até hoje é o meu papa preferido.

Até no futebol tinha um João de quem eu era fã:

o João Saldanha.

Enfim, sempre teve um João na minha vida.

A partir do meu pai: João Scorsato.

Acho que eu devia ligar para o meu analista.

                                   Classir Scorsato

 


set 25

 

Não dá pra resistir.

 

Uma cervejinha gelada no interior da França

ou no interior do Brasil tem algo em comum:

é difícil resistir à tentação de beber.

 

Aqui o comercial da Stella Artois com o moribundo.

http://www.youtube.com/watch?v=esgT1dpGOZo#

 

E aqui o da Antarctica com um caipira muito vivo.

http://www.youtube.com/watch?v=m1sKIxG-yZ0

Enviado por Paulo Peres www.cinemacurto.blogspot.com

 


set 16

 

Paulo Barsotti, um grande amigo meu,

me contou uma história que vale a pena ser registrada.

Perto da casa dele tem uma padaria e, com o tempo,

ele foi ficando amigo do dono dessa padaria.

Um português, é claro.

Aí houve aquele jogo da Portuguesa,

não me lembro contra quem, mas que a Lusa perdeu ,

foi para a série B do Campeonato Brasileiro

e a torcida invadiu o campo ameaçando os jogadores.

No dia seguinte, passando pela padaria,

o Paulo, meio na gozação, tocou no assunto com o dono.

E o portuga, em tom filosofal, desabafou:

“É  coisa de português,

eles deviam ameaçar antes da partida

e não depois.”

 

                                                 Classir Scorsato

 


set 14

 

Quem matou mais?

 

Aids ou Hitler?

Na campanha para o World AIDS Day 2009,

da agência alemã Das Comitte, 

um filme de 45” com cenas de sexo explícito

e mais cartazes, spot de rádio

e até um videoclipe chamam a atenção para a triste realidade.

A idéia é fazer uma analogia

entre o número de mortes causadas pela doença

e os crimes cometidos pelos maiores assassinos em massa da história

e, claro, provocar a polêmica que já está aberta na internet.

O filme é a peça mais contundente.

Veja porque em:

 

 

http://aids-is-a-mass-murderer.com/

 

Enviado por Paulo Peres.

www.cinamacurto.blogspot.com

 


set 13

 

Histórias de Gibrael Gibran

 

Valjean era o poeta do morro.

Não conseguia ouvir, sem chorar, que

“…a lua furando o nosso zinco, salpicava de estrelas nosso chão…”

Como todo poeta, vivia no mundo da lua.

Eis que um dia prenderam Valjan pelo imperdoável crime de,

desempregado há meses, furtar um pão para levar aos filhos.

Fui visitá-lo na cadeia.

Valjean já ganhara a confiança de todos, presos e carcereiros.

Pude ir com ele à cela onde me mostrou seu último poema,

um canto de rompimento com a lua.

Em lindos versos, dizia que a lua escravizava os homens com sua magia.

Encantados por ela, os poetas se tornavam incapazes de olhar para o lado

e ver a miséria e o sofrimento humanos.

“Somos todos prisioneiros da lua”, concluía.

A noite caíra. Uma magnífica lua cheia podia ser vista

por entre as barras da janela. Já não me encantava mais.

Valjean me conquistara:

 

- A LUA JÁ É A JAULA.

 


set 9

 

Seu nome era Cléber Mundim. Nascido no bairro da Urca,

com seis anos de idade tinha rodado meio mundo.

Com doze, já estava na primeira volta completa.

Filho de um casal de aventureiros náuticos,

Cléber teve a oportunidade de zarpar aos Sete Mares ainda na barriga,

conhecendo culturas das mais diversas.

 

Aos vinte, tinha um corpo belo.

Fronte e dorso morenos marcados pelos anos brincando à brisa e ao sol

- nadando n’água salgada. Era exímio marinheiro

e possuía conhecimento e uma habilidade lingüística,

no mínimo, incoerentes para sua idade.

“Menino de Ouro!” – seu pai dizia.

“Menino do Rio…” – as meninas lhe sussurravam ao pé d’ouvido.

 

Sim! Além daquelas, Cléber tinha outras habilidades.

 

Seu largo sorriso e seu jeito contido

cativavam as belas nas tardes do Arpoador.

Sua sutileza e seu balanço encantavam-nas nos lençóis

e nos véus dos pequenos cômodos do seu Brasília 43.

 

Aos vinte e três, Cléber foi tomado por um amor arrebatador.

Encontrou-a numa ordinária manhã,

rodopiando sua saia enquanto caminhava à beira do Mar.

Seu nome era Genalva.

                                                        (…continua…)

                                           


set 9

 

A bela (que não era tão bela assim)

trabalhava em uma Repartição do Estado da Guanabara.

Aos seis ainda não sabia soletrar seu próprio nome.

Aos doze brincava “de médico” com o vizinho.

 

Aos vinte e três encontrava-se morando com mais três amigas

em uma quitinete alugada na Prado Júnior.

Era versada n’arte do ócio e dominava grande habilidade

em achar Tatuís na praia de Copacabana.

 

Casaram-se e tiveram filhos.

 

Cléber deixou crescer uma barriga e um bigodinho.

Vendeu o barco e mudou-se para um dois-quartos na Tijuca.

Ingressou no mundo dos burocratas

tornando-se o melhor Administrador que o Município já teve.

Há vinte anos não via o Mar.

 

Um belo dia seu Chefe resolveu conceder-lhe um bônus nas férias,

em gratidão aos serviços prestados.

Mandou-o para Cabo Frio, sozinho e com tudo pago!

 

Assim que colocou os pés na praia,

Cléber lembrou-se da vida que um dia teve.

Nunca tinha sentido nada igual.

O sangue subia-lhe à cabeça.

Seus membros pulsavam e sua mente fervia de tanta melancolia.

Olhava para os lados e revia todas suas aventuras.

 

Correu para o hotel e atônito,

ligou para a esposa:

“Genalva, vem me buscar que eu estou odiando.”.

 

Após uma profunda e sonora tragada,

responde uma voz grossa e máscula pelo outro lado da linha:

“Genalva não pode falar agora.

Está ocupada. Querendo, ligue mais tarde!”. 

 

Assim, ironicamente aos quarenta e três,

Mundim começa a conhecer seu próprio mundo.

 

 

Enviado por Pedro Portilho.

 

 

 

 


set 4

Histórias de Gibrael Gibran

 

Aquela noite, na aldeia,

conheci uma belíssima dama.

Na verdade, presumi sua beleza,

pois ela tinha o rosto protegido por um véu.

Não me contive e perguntei a razão do véu,

já que, ali, as mulheres já tinham conquistado

há um bom tempo o direito de sair às ruas sem ele.

Ela, simplesmente, apontou-me a lua,

deslumbrante.

E disse:

 

- Você sabe de onde vem o fascínio

que a lua exerce sobre os homens,

e que a faz a maior inspiração de poetas?

Não vem da beleza que ela exibe,

mas do lado que ela eternamente esconde.

O que se admira é o que se vê.

O que fascina é o que não se mostra.

Eu aprendi com a lua.

 

Só me restava concluir:

 

A LUA À DAMA DÁ AULA!

 


ago 31

 

As inspiradoras fotos de Robert Polidori.

 

Hoje, uma exceção ao cinema de 30” no 30 segundos.

Está em cartaz no Instituto Moreira Salles do Rio

uma exposição do fotógrafo canadense Robert Polidori

que chama atenção pela riqueza de detalhes que suas fotos exibem,

sem que o artista recorra a nenhum recurso de captação ou manipulação digital.

Todo o material é feito com negativos 20×25 cm

e seus temas são o “registro das marcas do tempo sobre as coisas

e o impulso humano de construção e destruição”.

Leia na íntegra em http://ims.uol.com.br/ims/view_assunto.asp?id_pag=80#

Aí me lembrei de já ter visto parte do material

que Polidori colheu nas casas de Nova Orleans destruídas pelo furacão Katrina.

E aonde: nesta campanha da Neogama para a ADESF

(Associação de Defesa da Saúde do Fumante)

que estampou em outdoors a mensagem:

“Seu corpo é sua casa, não fume”.

Leão de Ouro na categoria no Festival de Cannes 2007.

http://sandeepmakam.blogspot.com/2007/06/adesf-cannes-2007-lions-winner.html

 

Enviado por Paulo Peres.

www.cinemacurto.blogspot.com


ago 28

 

Histórias de Gibrael Gibran.

 

Levei as angústias do dia para a cama,

na esperança de acordar com respostas.

De fato, em algum momento da noite

fui assaltado por uma idéia magnífica,

a mais assombrosa de todas as descobertas humanas:

a da verdade.

A revelação me dá uma noite de paz e de excitação a um só tempo.

É preciso que o dia amanheça logo. E amanhece.

Acordo cedo e corro para o meu diário

a fim de eternizar a verdade e dividi-la com a humanidade.

E a verdade é essa: não faço a menor idéia.

Não lembro de nada.

Não há a verdade, como desde sempre.

Idéia, se é que alguma houvera, já se fora.

Não resistiu ao primeiro raio de luz e de consciência.

A verdade é uma só: foi tudo um sonho.

Que me deu ao menos

um momento fugaz de glória e onipotência.

Conformado e humano,

escrevo no diário de minha longa viagem:

 

“A IDÉIA VAI, É DIA.”

 


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