Um jovem idoso de hoje 92 anos
aprontava todas na mocidade.
Certa vez, ele e sua turma
quiseram se vingar de um inglês chato e pedante,
que aportou no Rio de Janeiro com a dupla ameaça
de roubar empregos e cortejar moças da sociedade carioca.
Por ser exibido e rebuscado,
caiu numa armadilha o arrogante infeliz.
Levaram o estrangeiro a uma festa de 15 anos
de uma jovem de família poderosa e tradicional,
num casarão em Botafogo.
O idoso de hoje e traquina de outrora
chamou o inglês num canto
e disse que o pai da aniversariante
havia lhe concedido a honra de recitar um verso
em homenagem à donzela.
Em seguida, cochichou ao dono da festa
que um representante da realeza britânica
gostaria de dizer algumas palavras à sua filha.
E colocaram no smoking do inglês o discurso pronto.
Tão logo o bolo de 15 velinhas acesas adentrara aos salões,
mesmo sem saber uma palavra de português,
o britânico engomado retirou um papelzinho do bolso.
E com um sotaque de arrasar,
trejeitos de mau Laurence Olivier,
declamou a honraria
como se tivesse escrito algo shakespeareano
do fundo da sua alma.
15 anos!
Idade sem parelhos
com três coisas a crescer:
peitinhos, pentelhos
e vontade de foder.
Diz o jovem idoso travesso, às gargalhadas,
que o incauto de tanto apanhar correu até a Praça Mauá,
onde se enfiou nos porões do primeiro vapor do píer.
Deve ter ido parar na Argentina.
E se dado muito bem na vida, quem sabe.
Nota do editor:
esta história me foi contada pelo eternamente jovem avô da minha mulher.
Que nega autoria da travessura, mas conta o causo como se os versos fossem seus.
Não duvido.
