Ó, eu aqui outra vez, dando uma de cronista.
Mas não consegui resistir a um pedido do blogueiro amigo Foca.
E falar de futebol, principalmente do Botafogo, é um desafio tentador.
Esse time que nasceu de uma gurizada,
que jogava pelada ali onde hoje é a Cobal, no Humaitá, e que,
segundo um torcedor, teria sido este o motivo da eterna adolescência do Glorioso,
já motivou crônicas definitivas.
Por isso, me atrevo apenas a falar um pouquinho do torcedor.
Este ser irracional, que se deixa levar, sempre, pela paixão
e que faz coisas do arco da velha.
Meu pai, um gaúcho botafoguense,
que veio tentar a sorte no Rio, em 1959,
a primeira coisa que fez ao botar os pés aqui,
pela primeira vez, foi deixar minha mãe, grávida do primeiro filho,
na casa de parentes, e ir ao Maracanã assistir ao jogo do Botafogo.
E lembra sempre da emoção de pisar no maior estádio do mundo e ver,
extasiado, Nilton Santos e Garrincha jogarem.
Mesmo nas piores fases do clube,
meu pai sempre se orgulhou da escolha futebolística e acha,
acha não, tem certeza, que a estrela solitária é o escudo mais bonito do planeta.
Domingo, após o jogo, resignado, este homem pragmático e racional
e que poucas vezes vi chorar, me disse emocionado:
“Estou me sentindo cansado (ele anda doentinho),
acho que foi a tensão, mas estou feliz.
A gente conseguiu se manter entre os grandes.”
Pouco, não, para um clube que se reconhece como Glorioso?
Mas é o que coube, fazer o quê?
E, sem dúvida alguma, ontem,
foi a paixão que motivou a torcida botafoguense,
desencantada com a constante mediocridade do seu atual time,
e tão cobrada pela falta de apoio, encher o Engenhão, numa festa linda,
cheia de cânticos e gritos de incentivo,
ainda que para torcer somente pelo não-rebaixamento.
Deve ser a tal da labareda que se acende após o recolhimento e a depressão,
que o poeta diz ser a marca do torcedor botafoguense, este ser trágico.
Dizem que ser botafoguense não é pra qualquer um, não deve ser mesmo.
Por Olga Belém
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